Alma, Soma,
Comportamento, comprometimento,
Contradição, tradição.
Círculos concêntricos, entrelaçados.
Fugi de mim e de minhas questões,
Em muitas estradas deixei meus rastros
Meus farrapos…
Discurso inacabado, fragmentado
Que ao vento foi jogado.
Sempre fui assim, abnegado.
Naco de qualquer coisa disforme,
Um ente abortado,
Uma profanação de corpos,
O bafejo na catacumba,
A trinca num cântaro sagrado,
Amontoado de células e sangue em decomposição,
Amontoado de versos reversos
Um texto incompleto…
Desmantelos vivos em mim,
Lastro partido,
A face iluminada,
Uma poeira, um deserto,
Um rosto escondido,
Uma miragem.
Cansei de ser fragmentado
E me mostrar em pedaços,
Cansado de ser recortes de sortilégio de realejo cego,
Mera apática esfinge de oráculo rasgado
Em mosaico atemporal de retalhos íntimos confesso:
Não me queira pela aparência,
Não me queira em partes.
Não me queira pelo peso.
Queira a essência, a inteireza, a leveza,
Pois eu quero a ambiguidade de sua presença plena.
Quero todas as suas contradições e nenhuma coerência.
Quero que suas mãos que foram devotadas a Deus
Toquem além do corpo e resvalem na minha alma
E assumam a divina missão de profanamente ofertar prazer.



