Tardia noite,
Agora já posso sair
Após me banhar, me vestir.
O corpo cheira à canela,
Conflito visionário.
Caminho lado a lado
com minha sombra
Pensamentos e perdição,
Espero o fim da estrada,
Cansado da caminhada.
Olhos dispersos
No infinito da madrugada…
Numa escura esquina
miro a cidade iluminada,
Invejo um cobertor,
um pouco de calor.
Vejo pessoas indo
para o mundo dos sonhos
nos sonhos do mundo.
Volto a mim,
A rua já não mais existe,
Gravito sem me levitar,
Não há ninguém no fim.
O chão foge aos meus pés
Cabeça erguida
Como quem caminha no ar
Vejo o percurso da garoa fina,
Cortina que me envolve.
Ainda vejo luzes
Atravessam o fino véu,
Súbito se apagam,
volto a mim.
Caminho pela estrada nua
Atravessando as penumbras
Com o infinito disperso em meus olhos.
De cima a garoa cai no meu olhar…
É madrugada?
Não sei
Somem de vista as janelas
Agora suado
Meu corpo cheira a molhado
O infinito se perde de meus olhos
A rua caminha sob a noite nua
Atravesso pensamentos, penumbras
Sem ânimo para falar
Triste por não poder ficar
Volto…
É hora de voltar.



