Antes de voltar a caminhar,
Reveja seus pertences,
Suas raivas e o seu medo.
As doces perversidades
Que não trazem orgulho
E que você tenta esquecer.
A arrogância de mãos dadas
com a ignorância
Em cada tapa à face
A vingança oferecida.
Antes de voltar a caminhar
Lembre-se de quantas vezes
Desdenhou a beleza alheia
E criticou o mínimo defeito
Para disfarçar a cobiça
dos ídolos de areia.
Jogos e manipulações,
Distância maior da plenitude.
No sombrio calabouço do medo
O ego faminto aprisionado
Poda o brotar de qualquer virtude.
Antes de caminhar viva e se veja,
Reconheça a falta de nobreza
Nas gentilezas desprezadas,
No desconforto da maldade,
Só então quebre o seu espelho.
Aceite a luz que incide sobre si,
Para ver que a sombra que projeta
não é mais seu reflexo,
Mas sua própria natureza.
Olhe
o cume da montanha,
Não há atalhos,
Sinta os pés na terra,
Aprenda que a Mãe que você pisa
É a mesma que nutre,
E só então comece a caminhar
sem sapatos, nem aparências,
Tendo abandonado o medo
de respirar fundo
De se ajoelhar,
Sem se envergonhar,
Sem vestes.



